Escrito entre 1900 e 1904, Diário Íntimo revela um Lima Barreto jovem, dividido entre o desejo de se afirmar como escritor e a dureza de sua realidade cotidiana. O autor expõe suas inquietações existenciais, sua solidão e suas dificuldades financeiras, mesclando reflexões pessoais com observações críticas sobre o meio acadêmico e a sociedade de sua época. Cada página é marcada pela sinceridade de quem se coloca por inteiro no papel, sem máscaras ou artifícios.
O texto registra de forma comovente as dificuldades enfrentadas pelo autor: a falta de dinheiro, a fome que o acompanhava em certos períodos e a insatisfação com o ambiente familiar e social. Ao mesmo tempo, traz lampejos de ambição intelectual, como o desejo de escrever uma grande obra sobre a escravidão e seu papel na formação do Brasil. O diário mostra o embate constante entre as limitações materiais e a força de sua imaginação literária.
Mais do que simples anotações pessoais, o livro é um retrato íntimo de um homem que observa criticamente seu tempo. Barreto reflete sobre racismo, preconceito social e injustiças institucionais, revelando uma consciência aguçada e dolorosa da realidade brasileira. O resultado é um testemunho profundo, que combina desabafo, crítica social e um olhar sensível para as contradições da vida na Primeira República.