A garganta do diabo é um romance de Edio Riedi que se apoia num nome carregado de imaginário — o do abismo em que a água despenca e o barulho não deixa ouvir mais nada.
O título orienta a leitura para o terreno da força bruta da natureza e do risco, e para o que a expressão sugere quando aplicada aos homens: o ponto sem retorno, o lugar de onde não se volta igual. O livro trabalha com a passagem por esse limite, com a paisagem funcionando quase como personagem e com o modo como o medo e a ambição empurram as pessoas adiante.
A prosa tem fôlego narrativo, atenta ao ambiente e ao ritmo da ação, no registro de quem quer prender o leitor até o desfecho. Vale para quem gosta de ficção brasileira com forte senso de lugar e de histórias em que a geografia pesa tanto quanto os personagens.
