Resumo da Obra

A história "Antes que cases" de Machado de Assis apresenta Inocêncio, um jovem recém-chegado do interior à vibrante corte do Rio de Janeiro. Seu propósito era duplo: iniciar os estudos de direito e cumprir um compromisso de casamento já acertado com uma moça de sua terra natal, fruto de um arranjo familiar tradicional. No Rio, Inocêncio busca a orientação de seu tio materno, o Conselheiro Aires, um homem de vasta experiência de vida, diplomata aposentado e reconhecido por sua sabedoria e fina percepção da alma humana. Aires, em suas obras posteriores, tornar-se-ia um observador icônico da sociedade machadiana. Consciente do iminente casamento do sobrinho, Aires o adverte sobre os perigos de uma união precipitada. Ele argumenta que casar-se tão jovem, especialmente com alguém que se conhece desde a infância e com quem não se teve a oportunidade de comparar, pode ser um erro cujas consequências se revelariam ao longo da vida. O Conselheiro insiste na importância de Inocêncio primeiro conhecer o mundo, as pessoas, as diferentes facetas do amor e das relações sociais. Ele aconselha o sobrinho a observar, a refletir sobre as diversas naturezas femininas que encontraria na corte antes de selar um destino tão definitivo. As palavras do tio Aires, proferidas com uma mistura de afeto e sagacidade, calaram fundo em Inocêncio. O jovem, até então resoluto em seu compromisso, começa a ponderar as implicações de um casamento precoce e a ver sua futura esposa sob uma nova e questionável luz. Influenciado pela retórica do tio, Inocêncio passa a observar o cenário social carioca com uma curiosidade renovada. As ruas, os salões, as mulheres da corte, tudo se torna objeto de sua análise, na busca por compreender a profundidade dos conselhos que lhe foram dados. Nesse processo de redescoberta, o destino coloca em seu caminho D. Margarida. Bela, elegante e cheia de vivacidade, ela personificava um ideal de mulher que Inocêncio não havia encontrado em seu círculo familiar e que, de certa forma, parecia alinhar-se ao que seu tio havia descrito. Rapidamente, Inocêncio se encanta por D. Margarida. O encanto inicial transforma-se em uma paixão avassaladora, ofuscando completamente a imagem de sua noiva do interior. A moça do campo, antes um compromisso inquestionável, agora se desvanecia diante do brilho da nova paixão. Assim, o conselho de Aires, que visava a uma reflexão mais profunda antes do casamento, paradoxalmente levou Inocêncio a um novo e igualmente impetuoso envolvimento. O jovem, buscando evitar um erro, estava a caminho de cometer outro, guiado pela emoção do momento. O Conselheiro Aires, que observava toda a movimentação do sobrinho com seu habitual distanciamento irônico, limitou-se a um sorriso. Ele compreendia que, por mais sábios que fossem os conselhos, a natureza humana e a paixão muitas vezes traçam caminhos imprevisíveis, independentemente das advertências.

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