A comédia se instala no cotidiano da boa sociedade fluminense do Segundo Reinado, mundo de aparências em que pertencer ao clube certo é questão de honra.
O título dá o tom: alguém acaba de entrar para o Clube Jácome, e essa novidade doméstica basta para desarrumar a rotina de uma casa.
Como é típico do teatro de França Júnior, o riso nasce do choque entre as obrigações mundanas e as pequenas conveniências da vida conjugal e familiar.
As cenas se armam com agilidade: mal-entendidos, desculpas atrapalhadas, vaidades feridas e a eterna preocupação com o que dirão os vizinhos. Cada quiproquó puxa o seguinte, no ritmo certeiro da boa comédia.
O dramaturgo maneja o diálogo com leveza, fazendo cada personagem se denunciar pela própria fala, sem necessidade de comentários do autor.
A sátira mira a mania associativa da época, com seus estatutos solenes e rituais importados, tratados com pompa inversamente proporcional à sua importância.
Por trás da graça, desenha-se um retrato preciso dos costumes urbanos do século XIX, das relações entre maridos, esposas e agregados.
Os equívocos se acumulam até o ponto de ebulição, seguindo a receita clássica da comédia de costumes que Martins Pena legara ao teatro brasileiro.
O desfecho reordena a casa e desfaz os nós, devolvendo a paz doméstica com aquele sorriso de quem sabe que tudo pode recomeçar amanhã.
Fica no leitor a impressão de um Brasil que já sabia rir das próprias manias, e de um autor que fez desse riso um documento de época.
