O destinado é um conto de Machado de Assis que põe em cena um dos temas mais persistentes do autor: o embate entre o que a vida promete e o que ela cumpre. O título, com seu sabor de fatalidade, anuncia alguém marcado por um futuro previsto, e é justamente sobre essas previsões que a ironia machadiana vai trabalhar.
O conto examina o peso das expectativas, próprias e alheias, sobre uma existência. Ser destinado a algo, sugere o autor, é carregar uma dívida com o futuro, e poucas coisas divertem mais o acaso do que os planos bem traçados dos homens.
Com sua prosa exata e seu humor de fundo melancólico, Machado transforma a pequena história em reflexão sobre destino, vontade e acaso. O leitor acompanha o percurso do protagonista com a curiosidade de quem quer saber se a profecia se cumpre, e a suspeita de que, em Machado, cumprir-se e frustrar-se podem ser a mesma coisa.

