Resumo de Os Timbiras
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Resumo da obra
O poema se abre com uma invocação grandiosa da América, seus rios, suas matas e seus guerreiros, anunciando o propósito de cantar os feitos dos timbiras. Gonçalves Dias adota o verso branco e o tom homérico, buscando dar ao Brasil a epopeia de suas nações indígenas. Surge então Itajuba, chefe dos timbiras, guerreiro de fama consolidada, em torno de quem gravitam anciãos, pajés e combatentes. É o herói talhado na medida das epopeias clássicas. A paz da taba é rompida pelo conflito com os gamelas, nação rival, e o poema mergulha nos preparativos e rituais da guerra. Os conselhos dos velhos, os cantos guerreiros e as cenas de floresta compõem quadros de grande força plástica, entre o etnográfico e o lendário. Os combates são narrados com fôlego épico: desafios individuais, façanhas heroicas, a honra tribal posta à prova a cada lance. A floresta inteira parece combater ao lado dos guerreiros. Entre as cenas de guerra, o poeta abre espaço para dramas humanos, afetos e perdas que humanizam seus heróis de lenda. A natureza participa de tudo, não como cenário, mas como potência viva, à altura dos guerreiros que abriga. Dos dezesseis cantos projetados, apenas quatro foram publicados, e o poema se interrompe com sua promessa monumental em aberto. Justamente por inacabado, Os Timbiras guarda um fascínio especial: é a catedral incompleta do indianismo brasileiro. O leitor sai com a impressão de ter entrevisto uma mitologia nacional possível, e de ter ouvido, em português, um eco autêntico do canto épico.
