Resumo da obra

Resumo de Teoria do Medalhão

por Machado de Assis

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Resumo da obra

O conto começa com um pai e um filho acordados depois do último convidado de um jantar. São onze horas da noite. O pai lembra que há vinte e um anos, num 5 de agosto, o rapaz nascia, e que agora ele é um homem com bigodes e alguns namoros. Manda fechar a porta e diz que vai falar de coisas importantes: o filho já tem diploma e algumas apólices e pode escolher qualquer carreira, mas deve guardar um ofício de reserva para o caso de as outras não compensarem o esforço. O ofício que recomenda é o de medalhão.

O pai confessa que ser medalhão foi o sonho de sua mocidade e que lhe faltou quem o instruísse. Explica que o medalhão se forma por volta dos quarenta e cinco anos, quando a gravidade do corpo substitui o ardor da juventude. Diz que o melhor é não ter ideias, e que o filho já mostra “perfeita inópia mental”, porque só se interessa pelo corte de um colete ou pelo chapéu. Como uma ideia pode surgir de repente, receita um regime debilitante: compêndios de retórica, discursos, voltarete, dominó, whist e bilhar. Recomenda passear em ruas de movimento, nunca sozinho, e conversar nas livrarias com quem repete as mesmas opiniões.

Passa ao estilo. O vocabulário deve ser simples e sem cor, com algumas figuras de uso comum, como a hidra de Lerna e as asas de Ícaro, citações latinas para os discursos de sobremesa e, melhor ainda, frases feitas. Dá o exemplo de uma lei que não produz efeito: em vez de investigar, basta dizer “Antes das leis, reformemos os costumes!”. A terminologia científica deve ser decorada, mas não aplicada, e não se deve ler os mestres, porque isso pode inocular ideias novas.

Vem então a publicidade, que o pai compara a uma dama a ser cortejada com pequenos mimos. O medalhão compra um carneiro e o oferece aos amigos num jantar que vira notícia; participa de comissões e irmandades; deixa os amigos oferecerem um retrato ou um busto e agradece com discurso e um copo d’água; se os jornalistas não puderem ir à festa, escreve ele mesmo o relato ou o pede a um parente. Depois de fixado, o medalhão será o adjetivo das orações dos outros.

O filho pergunta se isso exclui a política. O pai responde que não: pode-se pertencer a qualquer partido, desde que as palavras liberal, conservador ou republicano sejam só senhas. No parlamento deve ocupar a tribuna e preferir a metafísica política aos negócios miúdos, porque nela tudo já está achado. Nenhuma imaginação, nenhuma filosofia que não seja a já formulada por outros. Pode rir, mas com a chalaça, nunca com a ironia.

Dá meia-noite. O pai lembra que o filho entra nos vinte e dois anos, manda-o dormir e diz que a conversa daquela noite, guardadas as proporções, vale o Príncipe de Machiavelli.

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