Teoria do Medalhão é um conto de Machado de Assis escrito quase todo em forma de diálogo. Saiu na Gazeta de Notícias em 18 de dezembro de 1881 e foi reunido em 1882 no livro Papéis Avulsos. Só falam um pai e o filho, na noite em que o rapaz faz 21 anos.
Do que trata Teoria do Medalhão
O pai, depois do jantar, chama o filho (Janjão) para uma conversa séria e lhe aconselha um ofício para o caso de as outras carreiras falharem: o de medalhão. Medalhão, nas palavras dele, é o homem que chega aos quarenta e cinco anos com ar grave, sem ideias próprias, repetindo o que todos já disseram, e por isso é tratado como figura importante.
A “teoria” é uma lista de instruções. Não ter ideias, ou ao menos abafá-las com leituras de compêndios de retórica, partidas de whist e bilhar. Passear sempre acompanhado, porque a solidão “é oficina de idéias”. Usar frases feitas e citações latinas no lugar de pensamento. Decorar a terminologia científica sem aplicá-la. Cuidar da publicidade com pequenos mimos: jantares noticiados, retrato ou busto oferecido pelos amigos, notícia de festa escrita por si mesmo. Na política, filiar-se a qualquer partido sem ligar ideia nenhuma às palavras. E rir só por meio da chalaça, nunca da ironia.
Um conto que ensina o contrário do que diz
O pai fala com toda a seriedade, e é isso que dá graça ao texto: defende a mediocridade como projeto de carreira, com argumentos ordenados e até estatística (“três quartas partes dos habituados do taco partilham as opiniões do mesmo taco”). A sátira à vaidade e à retórica vazia do Segundo Reinado nunca é declarada por ninguém. Hoje as referências da época (Mazade, o voltarete, a metafísica política do parlamento) pedem nota de rodapé, mas a fama de rótulo continua fácil de reconhecer.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 7 páginas com o conto completo. A abertura indica que o texto vem da Obra Completa da editora Nova Aguilar (1994, v. II) e que o texto veio da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, digitalizado pelo NUPILL, da UFSC. Outros contos do autor no site estão reunidos na página contos de Machado de Assis; um dos mais próximos em tom é O Espelho.

