Resumo de Uma partida
por Machado de Assis
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Resumo da obra
O conto arma-se como uma partida no duplo sentido: há um jogo em curso e há algo, ou alguém, sempre prestes a partir. Os personagens pertencem ao mundo habitual do autor: a boa sociedade carioca, com seus salões, interesses e conveniências, mundo que Machado conhecia e dissecava como ninguém. Sob a superfície dos encontros corteses, decorre a verdadeira ação: cálculos, tentativas, avanços e recuos do desejo e da vaidade. Machado dosa as informações como um parceiro astuto, revelando a cada lance apenas o necessário para manter o interesse da mesa. Os diálogos dizem uma coisa e significam outra, exigindo do leitor a atenção de quem observa um jogo de cartas por cima do ombro dos jogadores. As convenções sociais funcionam como as regras da partida: todos as conhecem, todos as usam, alguns as trapaceiam. O tempo também joga: espera, pressa e ocasião valem tanto quanto qualquer estratégia deliberada. A ironia do narrador ilumina os pequenos autoenganos com que cada personagem justifica suas jogadas, a si mesmo antes que aos outros. Num certo momento, a partida atinge seu ponto decisivo, e as posições reveladas surpreendem menos pelo que mostram do que pelo que confirmam. O desfecho fecha o jogo com a discrição característica do autor, deixando ao leitor o cálculo final dos ganhos e das perdas de cada um. Termina-se a leitura com a sensação conhecida e sempre nova dos contos machadianos: a de que, nos jogos do coração, ninguém sai exatamente como entrou.
