A peça começa com a Inglaterra sob o reinado de João, que se vê desafiado em sua legitimidade ao trono. Seu sobrinho, Arthur, duque da Bretanha, tem uma reivindicação mais forte ao trono inglês, apoiado pelo Rei Filipe II da França e sua mãe, Constance. Esta disputa inicial estabelece o cenário de conflito e insegurança para o reinado de João, forçando-o a defender sua coroa em meio a pressões diplomáticas e militares. Enquanto a tensão aumenta entre Inglaterra e França, um personagem notável emerge: Philip the Bastard (Philip Faulconbridge), filho ilegítimo de Ricardo Coração de Leão. Ele renuncia à sua herança para servir ao Rei João, tornando-se um de seus mais leais e perspicazes conselheiros. Sua presença adiciona uma camada de comentários cínicos e pragmáticos sobre a política e a moralidade da corte. As negociações entre João e Filipe da França resultam em um acordo de paz pragmático, selado pelo casamento da sobrinha de João, Blanche de Castela, com o Delfim Luís, filho de Filipe. Contudo, essa paz é frágil e de curta duração, pois o Legado Papal, Cardeal Pandolfo, intervém. Ele exige que João reconheça Stephen Langton como Arcebispo de Cantuária, algo que o rei se recusa a fazer. A recusa de João em aceitar Langton leva à sua excomunhão pela Igreja Católica e à imposição de um interdito sobre toda a Inglaterra. O Cardeal Pandolfo então incita o Rei Filipe a quebrar o tratado de paz e invadir a Inglaterra, prometendo apoio divino para a campanha. Esta virada religiosa intensifica drasticamente o conflito, colocando João em uma posição ainda mais precária. A guerra recomeça. João captura Arthur e o entrega aos cuidados de Hubert de Burgh, com ordens implícitas ou explícitas de cegá-lo ou até mesmo matá-lo. Hubert, contudo, é movido pela inocência de Arthur e não consegue cumprir as ordens do rei, poupando a criança e planejando seu resgate. Este evento é um ponto crucial que revela a crueldade potencial de João e a humanidade de Hubert. A notícia de que Arthur está vivo, mas em cativeiro, começa a se espalhar, gerando descontentamento entre os nobres ingleses. Eles veem a prisão de Arthur como uma violação da lei e um ato tirânico, e muitos começam a considerar mudar sua lealdade. Enquanto isso, Arthur tenta fugir da custódia de Hubert, mas, em sua tentativa desesperada, cai de um muro e morre. Sua morte, acidental ou não, é atribuída a João pelos nobres. A morte de Arthur e a excomunhão de João enfurecem a nobreza inglesa, que passa a apoiar abertamente a invasão do Delfim Luís da França. Luís chega à Inglaterra com um exército considerável, prometendo libertar o país do tirano. Os barões ingleses desertam para o lado francês, deixando João com poucos aliados e um reino fragmentado. Diante da iminente derrota, João é forçado a submeter-se à autoridade papal. Ele entrega sua coroa a Pandolfo e a recebe de volta como um vassalo do Papa, um ato humilhante que visa reconciliá-lo com a Igreja e, esperançosamente, enfraquecer o apoio francês aos barões rebeldes. No entanto, o Delfim Luís já está profundamente enraizado em solo inglês e não pretende recuar. A campanha do Delfim Luís é inicialmente bem-sucedida, mas a peça mostra um momento de virada quando um nobre francês, Melun, revela aos barões ingleses que Luís planeja executá-los após sua vitória. Esta traição supostamente iminente leva muitos barões a retornar ao lado do Rei João. Contudo, o rei está enfraquecendo rapidamente. No final, o Rei João morre, possivelmente envenenado, em meio ao caos da invasão francesa e da revolta interna. Com sua morte, o jovem Príncipe Henrique, filho de João, ascende ao trono como Henrique III. O Bastardo, Faulconbridge, assume um papel de liderança, exortando os ingleses a se unirem contra os invasores e a restaurarem a paz e a estabilidade sob o novo rei, reafirmando a soberania da Inglaterra.