Resumo da obra

Resumo de Vidros quebrados

por Machado de Assis

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Resumo da obra

O conto se constrói sob o signo do título: algo vai se quebrar, e não haverá conserto perfeito. Machado arma essa expectativa com discrição. A narrativa começa em clima de normalidade, apresentando personagens acomodados em suas rotinas e certezas. É a calma que precede as rachaduras. O autor demora o olhar nos pequenos sinais de fragilidade que ninguém percebe. Uma relação, como um vidro, pode estar trincada muito antes de partir. O conflito se insinua pelos meios prediletos do contista: mal-entendidos, vaidades feridas, verdades ditas ou caladas na hora errada. O perigo cresce sem que ninguém o nomeie. O narrador acompanha a progressão do dano com ironia compassiva. Sabe que os personagens são culpados e vítimas ao mesmo tempo. Há o momento inevitável em que o vidro cede. Machado o narra sem estrondo, porque na vida real as coisas importantes se quebram quase em silêncio. Depois da quebra, vem o inventário dos cacos. Os personagens descobrem o tamanho do que tinham pelo tamanho do que perderam. O autor não oferece consertos milagrosos nem punições exemplares. Oferece, como sempre, lucidez, que é a sua forma mais alta de generosidade com o leitor. O desfecho acomoda os personagens à sua nova realidade, feita de arestas e cuidados. Viver, sugere o conto, é aprender a conviver com o que se partiu. Fica no leitor a imagem duradoura do título e a suspeita de seus próprios vidros trincados. É o tipo de eco que só os grandes contos produzem.

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