A peça começa apresentando o Rei Ricardo II, um monarca que acredita firmemente no direito divino dos reis. Sua corte é marcada por disputas, e ele é convocado a arbitrar um duelo entre seu primo Henrique Bolingbroke e Thomas Mowbray, acusados de traição e assassinato. No momento crucial do duelo, Ricardo intervém e bane ambos os nobres de Inglaterra, Mowbray para a vida toda e Bolingbroke por dez anos (depois reduzidos a seis), numa decisão que muitos veem como arbitrária e motivada mais por sua própria conveniência do que por justiça. Pouco tempo depois, João de Gante, tio de Ricardo e pai de Bolingbroke, morre. Em vez de permitir que Bolingbroke herde suas terras e riquezas, Ricardo as confisca para financiar suas dispendiosas guerras na Irlanda, ignorando os direitos de seu primo e provocando a ira da nobreza. Aproveitando a ausência de Ricardo na Irlanda, Henrique Bolingbroke retorna à Inglaterra antes do término de seu exílio, inicialmente alegando apenas o desejo de reaver sua herança. No entanto, sua causa ganha rapidamente o apoio de outros nobres descontentes com o governo de Ricardo. Ao retornar da Irlanda, Ricardo encontra um país em polvorosa, seu exército disperso e a maioria de seus aliados o abandonando. Ele se refugia no Castelo de Flint, onde começa a confrontar a dolorosa realidade de sua perda de poder e a rebelião que o cerca. Em um encontro dramático com Bolingbroke no Castelo de Flint, Ricardo é forçado a negociar e, simbolicamente, a entregar parte de sua autoridade. O diálogo entre eles é carregado de tensão, e Ricardo percebe que o caminho para sua deposição já está traçado. A humilhação de Ricardo culmina em Londres, onde ele é publicamente deposto e forçado a renunciar à coroa em favor de Henrique Bolingbroke, que se torna o Rei Henrique IV. Este é um momento crucial, marcando a transição de um rei pelo direito divino para um rei pela força e apoio popular. Prisioneiro no Castelo de Pomfret, Ricardo passa seus últimos dias refletindo sobre a efemeridade do poder e a natureza da identidade. Ele lamenta sua queda e as falhas que o levaram à sua desgraça, encontrando consolo apenas em seus próprios pensamentos. Enquanto Henrique IV tenta consolidar seu reinado, surgem conspirações para restaurar Ricardo ao trono. Essas tramas são descobertas e brutalmente reprimidas, mas mostram a instabilidade do novo governo e a ameaça persistente que Ricardo, mesmo deposto, representava. Por fim, para assegurar a estabilidade de seu trono, Henrique IV dá a entender que a morte de Ricardo seria bem-vinda. O rei deposto é assassinado brutalmente na prisão por Sir Piers de Exton, deixando Henrique IV com o peso da culpa e a necessidade de se redimir por tal ato.