Resumo da obra

Resumo de Cantiga velha

por Machado de Assis

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Resumo da obra

O conto se anuncia como uma cantiga velha: algo que vem de longe e ainda encontra ouvidos. Machado afina a narrativa nesse diapasão de memória e melancolia. A abertura instala um presente tranquilo, sob o qual dorme um passado. O leitor pressente desde cedo que ele vai despertar. Os personagens carregam suas histórias com a discrição típica do autor. O que foram e o que são dialogam em silêncio, e cada um guarda seu passado como quem guarda uma partitura antiga. Um elemento do passado, como a melodia do título sugere, atravessa a rotina e reabre o tempo. É o gatilho delicado de que a trama precisava. A partir daí, presente e lembrança passam a disputar a cena. Machado conduz essa alternância com mão de mestre. O narrador observa a comoção dos personagens sem sentimentalismo, mas também sem frieza. Há ternura na sua ironia, como sempre houve. O conto pergunta, nas entrelinhas, o que fazer com aquilo que o tempo devolve. Nem tudo o que volta pode ser vivido de novo. A tensão se resolve de maneira suave, mais em acordes que em golpes. O desfecho tem a dignidade das despedidas bem feitas. No último movimento, a cantiga cumpre seu destino de cantiga: emociona e se cala. Fica o eco, num dos fechos mais delicados do autor. O leitor fecha o conto com uma saudade que não é exatamente sua, e é esse o milagre do texto. Machado transformou uma melodia antiga em espelho do coração de quem lê.

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