Cantiga velha é um conto de Machado de Assis em que o título, com sua evocação de melodia antiga, anuncia o registro da narrativa: o da memória afetiva, do tempo que passa e das emoções que sobrevivem em surdina dentro das pessoas. É o Machado mais lírico, sem nunca deixar de ser o observador irônico de sempre.
O conto trabalha a relação entre passado e presente com a delicadeza de quem sabe que certas lembranças não envelhecem, apenas mudam de tom. A música, presença sugerida desde o título, funciona como chave dessa arqueologia sentimental, capaz de reabrir portas que o tempo fingia ter fechado.
Para o leitor, é uma oportunidade de conhecer a face mais melancólica do contista, aquela que os grandes romances deixam entrever. Breve e tocante, Cantiga velha lembra que, na obra de Machado, a ironia e a ternura sempre cantaram a mesma canção.

