Numa segunda-feira de maio de 1840, o narrador, que os colegas chamam de seu Pilar, hesita entre brincar no morro de São Diogo ou no Campo de Sant’Ana. Acaba indo para a escola, na Rua do Costa, por lembrar a surra de vara de marmeleiro que o pai, empregado do Arsenal de Guerra, lhe deu na semana anterior por ter feito dois suetos. O mestre, Policarpo, entra na sala em chinelas e senta-se com a boceta de rapé e o lenço vermelho.
O filho do mestre, Raimundo, um menino pálido, aplicado e de inteligência lenta, que tem muito medo do pai, diz a Pilar que precisa falar com ele. Só consegue fazê-lo depois de algum tempo, porque o pai os vigia e o colega Curvelo, de onze anos, olha para os dois com desconfiança. Policarpo se distrai lendo os jornais, num fim de Regência de muita agitação política. Raimundo mostra então uma pratinha que ganhou da mãe no aniversário e propõe dá-la a Pilar em troca da explicação de um ponto de sintaxe que não aprendeu.
Pilar sente uma coisa estranha. Enganar o mestre não era novidade para ele; o que o surpreende é a troca declarada, lição por dinheiro. Depois de olhar para o mestre e para Curvelo, aceita a moeda e passa a explicação num pedaço de papel. Curvelo continua olhando, com um riso que ao narrador parece mau. Pilar toca a moeda no bolso e imagina-se fora da escola, embaixo de uma mangueira, com um papagaio de papel no céu.
O mestre grita seu nome. Curvelo está de pé junto à mesa. Policarpo manda entregar a moeda, joga-a na rua e diz aos dois que fizeram uma ação baixa. Dá doze bolos de palmatória em cada um, e depois os xinga. Pilar volta para o banco soluçando e jura quebrar a cara de Curvelo na saída. Na hora de sair, Curvelo desaparece, e à tarde falta à escola. Em casa, Pilar não conta nada e diz à mãe que não soube a lição.
Na manhã seguinte, de calças novas amarelas, sai cedo pensando em procurar a moeda. No caminho encontra uma companhia de fuzileiros marchando ao som de tambor, e acompanha os soldados em vez de ir à escola. Passa pela Saúde, termina a manhã na Praia da Gamboa e volta para casa com as calças sujas, sem a pratinha e sem ressentimento. O narrador comenta que Raimundo e Curvelo lhe deram o primeiro conhecimento da corrupção e da delação, “mas o diabo do tambor…”.
