Crisfal é um poema de Cristóvão Falcão que ocupa lugar singular na lírica portuguesa do Renascimento: uma écloga amorosa em que o pastor que dá nome ao texto relembra e lamenta a separação da mulher amada.
Escrito na medida velha, em redondilhas de sabor tradicional, o poema combina a herança bucólica com a matéria sentimental que atravessa a poesia peninsular do período — a saudade, a ausência, o amor contrariado. A crítica discute há muito sua autoria, atribuída ora a Falcão, ora a Bernardim Ribeiro, e essa dúvida acabou por integrar a própria fortuna do texto, lido em diálogo estreito com as éclogas bernardinianas.
Vale a leitura pela musicalidade do verso curto e pela delicadeza com que constrói o lamento sem cair no exagero. É porta de entrada elegante para a poesia portuguesa quinhentista anterior a Camões, e para quem quer entender de onde vem certa melancolia lusitana.
