Tito Andrônico, um aclamado general romano, retorna a Roma após uma vitoriosa campanha contra os godos, trazendo consigo prisioneiros, incluindo a rainha gótica Tamora e seus filhos. Sua primeira ação é sacrificar o primogênito de Tamora, Alarbus, em um ritual de vingança pelas perdas romanas na guerra, um ato que acende a chama do ódio na rainha gótica. Apesar de sua popularidade, Tito recusa a coroa imperial, sugerindo que seu filho Saturnino, impetuoso e ambicioso, ascenda ao trono. No entanto, Saturnino, recém-empossado imperador, rapidamente demonstra sua volúvel natureza. Ele se apaixona por Tamora, a rainha gótica, e a declara sua imperatriz, ignorando o desejo de Tito de que ele se case com sua filha Lavínia. Essa união inusitada e o subsequente tratamento desrespeitoso de Saturnino em relação à família Andrônico estabelecem o cenário para o conflito que se seguirá. Tamora, agora em uma posição de poder, vê a oportunidade perfeita para sua vingança contra Tito. Auxiliada por seu amante secreto, Aaron, um mouro astuto e cruel, e por seus dois filhos, Demétrio e Quíron, Tamora arquiteta um plano para destruir a família Andrônico. Aaron, em particular, é uma figura central na conspiração, atuando como o mentor por trás das atrocidades, desfrutando da maldade pura de seus atos e da dor que inflige. O ódio de Tamora e a sagacidade de Aaron formam uma dupla letal. O primeiro grande golpe ocorre durante uma caçada. Bassiano, irmão de Saturnino e noivo de Lavínia, é assassinado por Demétrio e Quíron. Para agravar a situação, Lavínia é brutalmente estuprada e mutilada pelos irmãos, que cortam sua língua e suas mãos para impedi-la de denunciá-los. Ela é deixada para Tito em um estado de horror indizível, um símbolo vivo da crueldade perpetrada contra sua família. Em seguida, a família Andrônico é atingida por outra tragédia orquestrada por Aaron. Os filhos de Tito são falsamente acusados do assassinato de Bassiano, uma acusação forjada com evidências fabricadas. Apesar dos apelos desesperados de Tito, o imperador Saturnino, influenciado por Tamora e cegado pela raiva, condena-os à morte. A cada passo, a teia de vingança se aperta em torno de Tito e sua linhagem. Em um ato de crueldade particularmente sádico, Aaron engana Tito, prometendo que, se o general cortasse uma de suas mãos e a enviasse ao imperador, seus filhos seriam libertados. Tito, em seu desespero, cumpre a exigência, apenas para receber de volta não seus filhos, mas suas cabeças, acompanhadas da mão que havia sacrificado. Este evento leva Tito à beira da loucura, mas também solidifica sua determinação em buscar justiça. Consumido pela dor e pela injustiça, Tito mergulha em uma aparente loucura, usando a teatralidade de sua insanidade para mascarar seus planos de vingança. Lavínia, em seu estado mudo e sem mãos, consegue finalmente revelar a identidade de seus agressores, usando seu corpo para "escrever" na areia. A verdade exposta reforça a sede de vingança de Tito e a de seu filho Lúcio, que havia sido exilado. Tito começa a orquestrar seu plano final. Inspirado pela lenda de Procne e Tereu, ele planeja um banquete grotesco para Tamora e o imperador. Enquanto isso, Lúcio retorna a Roma com um exército gótico, aumentando a pressão sobre Saturnino e Tamora. A cidade se torna um caldeirão de intrigas, onde a vingança está prestes a ser servida de maneira literal e figurada. No clímax da peça, durante o banquete, Tito, disfarçado de cozinheiro, mata Lavínia para "liberá-la" de seu sofrimento e vergonha. Em seguida, ele revela ter matado Demétrio e Quíron e usado suas carnes para rechear uma torta que ele serve a Tamora, sua mãe. Ao desvendar a horrível verdade, Tito apunhala Tamora. Saturnino, furioso, mata Tito, e por sua vez, Lúcio vinga a morte de seu pai matando Saturnino. Com a cena repleta de corpos e a cidade em choque, Lúcio é aclamado como o novo imperador de Roma. Ele promete restaurar a ordem e a justiça, punindo Aaron, que é condenado a uma morte lenta e cruel, enterrado até o pescoço e deixado para perecer. A peça termina com a promessa de um novo começo para Roma, mas também serve como um sombrio testemunho dos ciclos destrutivos da vingança e da barbárie humana.