Resumo

Um dia de entrudo

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Resumo da Obra

O conto se organiza em torno de um dia de festa: o entrudo, antecessor turbulento do carnaval, em que molhar e enfarinhar o próximo era licença geral. O dia escolhido não é casual: no entrudo, tudo o que era sólido escorrega, e é justamente no escorregão que Machado encontra a verdade das pessoas. A narrativa aproveita essa suspensão temporária das regras para aproximar personagens que o cotidiano, com suas etiquetas e distâncias, manteria cuidadosamente separados. Na atmosfera de jogo, os gestos ganham duplo sentido: um limão de cheiro atirado pode ser provocação, cortesia ou declaração de amor disfarçada. O narrador machadiano acompanha tudo com seu misto característico de simpatia e malícia, registrando os lances sem pressa de julgá-los. Entre risos, fugas e correrias, desenham-se pequenos conflitos de vaidade e de interesse, a matéria-prima predileta do autor em seus estudos de sociedade. A festa funciona como um reagente químico: posta à prova pela desordem, cada figura revela algum traço que o traje social costumava cobrir. Como em tantos contos machadianos, o essencial se passa nas entrelinhas, nos olhares trocados e nos cálculos silenciosos que acompanham a brincadeira. Há espaço também para o registro de costumes: vestes, salas, ruas e hábitos de um Rio de Janeiro oitocentista retratado com vivacidade. Passado o dia de folia, a ordem retorna às casas, mas algo mudou discretamente na posição relativa das peças no tabuleiro. O leitor fecha o texto com um sorriso e a suspeita, tipicamente machadiana, de que toda festa é também um pequeno teatro de intenções.

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