Uma ode de Anacreonte é uma obra em versos de Machado de Assis que dialoga com a tradição clássica: Anacreonte, o poeta grego famoso por cantar o vinho, o amor e os prazeres fugazes, empresta seu nome e seu espírito a esta incursão machadiana pela Antiguidade.
O interesse do autor pela herança greco-latina acompanhou toda a sua carreira, dos poemas de juventude às citações que salpicam os romances. Aqui, esse gosto se concentra: o mundo antigo serve de moldura para meditar sobre temas eternos, o desejo, a beleza, a brevidade da vida e o valor das coisas que o dinheiro não compra.
Para o leitor moderno, o texto oferece um Machado menos frequentado, o poeta, revelando a mesma fineza de espírito que consagrou o prosador. É uma peça curiosa e elegante, que mostra como o autor brasileiro conversava de igual para igual com os clássicos.

