Resumo de Viagem à roda de mim mesmo
por Machado de Assis
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Resumo da obra
O texto parte de uma premissa engenhosa: fazer de si mesmo o destino da viagem. O narrador se propõe a percorrer o próprio eu como quem explora um território. A partida se dá em tom de brincadeira erudita, com a memória de Xavier de Maistre e sua viagem sem sair do quarto pairando sobre a página. Machado assume e renova a tradição. O itinerário avança por digressões, que aqui não são desvio, mas o próprio caminho. Cada lembrança ou mania puxa outra, como estradas que se bifurcam. O viajante examina suas contradições com uma franqueza divertida. O elogio de si e a autoironia trocam de lugar a cada parágrafo. Há paradas melancólicas no percurso, como em toda viagem verdadeira. O tempo, as perdas e as ilusões desfeitas aparecem na paisagem interior. O humor machadiano trabalha como bússola, impedindo que a confissão vire lamento. Ri-se do eu para poder falar dele com honestidade. A certa altura, o narrador percebe que o território é maior do que supunha. Quanto mais avança, mais descobre regiões inexploradas de si. A prosa conversa diretamente com o leitor, tomando-o por companheiro de excursão. É o charme das primeiras pessoas machadianas. O regresso, como em toda viagem à roda de si, não devolve o viajante ao ponto exato de partida. Algo se aprendeu no caminho. Fecha-se o texto com a suspeita luminosa de que o eu é o mais vasto dos países. E de que Machado foi um de seus grandes exploradores.
