Viagem à roda de mim mesmo é uma página de Machado de Assis em registro de crônica confessional, cujo título dialoga com uma tradição ilustre: a das viagens imóveis inauguradas por Xavier de Maistre em sua célebre viagem à roda do quarto. Aqui, porém, o território explorado é ainda mais íntimo: o próprio eu.
Com humor e melancolia dosados na medida machadiana, o texto transforma a introspecção em itinerário. O autor percorre lembranças, manias, contradições e pequenas filosofias pessoais como quem visita províncias de um país desconhecido, descobrindo que ninguém é terreno inteiramente mapeado, nem para si mesmo.
É uma leitura deliciosa para quem aprecia o Machado das primeiras pessoas irônicas, aquele que conversa com o leitor enquanto se examina. Em poucas páginas, o escritor demonstra que a mais surpreendente das viagens pode ser feita sem sair do lugar, bastando coragem para olhar para dentro.

