Casa, não casa é um conto de Machado de Assis cujo título, com seu balanço de mal-me-quer, anuncia o tema: a hesitação diante do casamento, instituição que o autor examinou a vida inteira com olhos de entomologista divertido. Entre o sim e o não, abre-se o espaço onde a ficção machadiana sempre trabalhou melhor.
O conto observa o jogo de conveniências, afetos e cálculos que cercava as decisões matrimoniais no século XIX. Famílias, dotes, posições e sentimentos entram na balança, e o narrador acompanha as pesagens com sua ironia característica, revelando quanto de negócio havia nos enlaces e quanto de acaso nas escolhas do coração.
Leve e maliciosa, a narrativa diverte enquanto disseca costumes. Para o leitor de hoje, é também um retrato precioso de uma época em que casar era o grande verbo da vida social, e não casar, uma declaração. Machado transforma a dúvida em espetáculo delicioso.

