O poema abre em alto-mar, à noite. O luar brinca no espaço, e o poeta pergunta qual dos dois é o céu e qual é o oceano. Um brigue veleiro passa de velas abertas, sem que se saiba de onde vem nem para onde vai. A brisa traz um canto. O poeta saúda os marinheiros, mas o barco foge dele. Então pede ao albatroz, que chama de águia do oceano, que lhe dê suas asas.
A segunda parte diz que pouco importa a pátria do marinheiro e passa pelos cantos de cada um. O espanhol lembra as moças da Andaluzia. O italiano canta Veneza e os versos de Tasso. O inglês recorda as glórias de Nelson, o francês as do passado, e os gregos repetem versos de Homero.
A terceira parte tem seis versos. O poeta desce com o albatroz sobre o brigue e se espanta com o que há a bordo: uma cena que ele chama de infame.
A quarta parte é o que ele vê. No tombadilho, à luz avermelhada das lanternas, homens negros dançam ao som de ferros e do açoite. Há mulheres com crianças magras ao peito e moças nuas arrastadas na roda. Se um velho escorrega e cai, o chicote estala. Presos aos elos de uma só cadeia, um delira de raiva, outro enlouquece, outro geme e ri. O capitão, em meio à fumaça, olha o céu puro e manda os marinheiros baterem com mais força para que dancem mais. A parte termina com o riso de Satanás.
Na quinta parte o poeta se dirige a Deus e pergunta se tanto horror é verdade. Pede ao mar que apague aquela mancha. Pergunta à Musa quem são aqueles desgraçados, e ela responde. São filhos do deserto, guerreiros que ontem eram livres e hoje são escravos. São mulheres que o poema compara a Agar, sem ter o que dar aos filhos. Vem a lembrança da terra das palmeiras onde nasceram, depois a caravana e a marcha pelo areal, em que muitos caem e ficam para os chacais. Ontem era a Serra Leoa e a liberdade. Hoje é o porão fundo e imundo, a peste, o baque dos corpos lançados ao mar. A estrofe do começo volta, quase igual, para fechar a parte.
A sexta parte pergunta que bandeira é aquela, emprestada para cobrir tanta infâmia. É a do Brasil. O poeta diz que seria melhor que a tivessem rasgado na batalha do que vê-la servir de mortalha a um povo. Nos versos finais chama os heróis do Novo Mundo: pede a Andrada que arranque a bandeira dos ares e a Colombo que feche a porta de seus mares.
