Resumo de O sainete
por Machado de Assis
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Resumo da obra
O conto se anuncia como um sainete: cena breve, cômica, armada para divertir e espetar. Machado cumpre o programa com a desenvoltura de quem conhecia os palcos. A abertura posiciona os personagens como num tablado, cada um com seu papel social bem ensaiado. A vida de salão era, para o autor, teatro em tempo integral. O diálogo conduz boa parte da ação, vivo e cheio de subentendidos. O que se diz importa menos do que o que se quer com o que se diz. O narrador funciona como um ponto invisível, soprando ao leitor as falas verdadeiras por trás das declamadas. É a dupla cena machadiana: a representada e a real. A comédia nasce do descompasso entre os papéis assumidos e os interesses reais. Cada personagem atua para os outros e, com frequência, para si mesmo. O enredo avança como convém a um sainete, por peripécias rápidas e mal-entendidos calculados. O ritmo é de cena curta, sem tempos mortos. Há o momento em que a representação ameaça desabar e os atores improvisam. É quando o riso do leitor se mistura ao reconhecimento. O clímax expõe, com graça, a engrenagem das aparências. O pano de fundo social fica visível por um instante revelador. O desfecho baixa o pano com precisão teatral, sem discurso final. A cena termina, mas o espetáculo do mundo continua. O leitor aplaude e, saindo do teatro machadiano, olha em volta com outros olhos. O sainete, afinal, era sobre a plateia.
