À Margem da História é um livro de ensaios de Euclides da Cunha, publicado em 1909, ano da morte do autor, e por isso lido como uma espécie de testamento intelectual. Nele, o escritor de Os Sertões volta sua lente poderosa para a Amazônia, para os destinos da América do Sul e para os impasses da história brasileira.
Na parte mais célebre, Terra sem história, Euclides registra o espanto diante da natureza amazônica e a tragédia dos seringueiros, definidos na fórmula lapidar do homem que trabalha para escravizar-se. Ciência, indignação e estilo barroco se fundem em páginas de rara intensidade, como o antológico Judas-Ahsverus.
É leitura essencial para quem quer entender o Brasil profundo e a formação do pensamento social brasileiro. A prosa densa e vibrante de Euclides transforma geografia em drama e faz deste livro um dos grandes documentos sobre a Amazônia e sobre um país que insistia em viver à margem de si mesmo.

