Resumo de À Margem da História
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Resumo da obra
O volume se abre com Terra sem história, conjunto de ensaios em que Euclides da Cunha registra sua viagem à Amazônia e o assombro diante daquela natureza desmedida. Para o autor, a região parece um mundo ainda em formação, anterior ao próprio homem: um rio grandioso e monótono, uma terra que a história não alcançou. Desse cenário emerge a figura trágica do seringueiro, que Euclides fixa em fórmula célebre: o homem que trabalha para escravizar-se. Em Judas-Ahsverus, página antológica, o seringueiro constrói no sábado de aleluia um boneco de Judas à sua própria imagem, num dos momentos mais pungentes da prosa brasileira. O escritor denuncia o abandono dos migrantes nordestinos lançados aos seringais sem amparo, cobrando do país uma política efetiva para a Amazônia. A obra segue com estudos sobre a América do Sul e o Pacífico, em que Euclides analisa fronteiras, rivalidades e os destinos do continente. Vêm depois reflexões sobre a trajetória brasileira, da Independência à República, marcadas pela mesma inquietação de diagnóstico que animara Os Sertões. O estilo é inconfundível: precisão científica e ímpeto barroco, frases densas em que a geografia vira drama e a paisagem ganha destino. Publicado no ano em que o autor morreu, o livro adquiriu involuntário tom de despedida, síntese final de uma inteligência apaixonada pelo Brasil. Ao terminar, o leitor guarda a imagem de um país à margem da própria história, e a certeza de que poucos o enxergaram com tanta lucidez e tanto ardor.
