O caso do Romualdo é um conto de Machado de Assis que já no título assume o tom de anedota social: um caso, desses que se contam em roda, com nome próprio e tudo. É o registro em que o autor brilhava, transformando o falatório do cotidiano em matéria de fina observação moral.
Em torno de Romualdo, figura que empresta o nome à história, Machado arma seu jogo preferido: o contraste entre a versão pública dos acontecimentos e suas motivações privadas. A reputação, a curiosidade alheia e as pequenas conveniências entram em cena sob a luz irônica do narrador.
O conto seduz pelo andamento de conversa e pela malícia da construção. O leitor tem a impressão de ouvir um causo bem contado e só depois percebe a profundidade do que lhe foi dito sobre vaidade, aparência e natureza humana. É o disfarce predileto da inteligência machadiana.

