O melhor remédio é um conto de Machado de Assis que joga, desde o título, com uma das ironias favoritas do autor: a de que os males humanos raramente são os que se declaram, e as curas raramente vêm de onde se esperam. Entre doenças do corpo e achaques da alma, o escritor arma uma pequena comédia de enganos e lucidez.
O tema permite a Machado exercitar sua verve contra as convenções: os remédios da medicina, os conselhos dos prudentes e as receitas da sociedade são postos lado a lado e examinados com o mesmo sorriso cético. O que cura, sugere o conto, talvez não esteja em nenhuma farmácia.
Com diálogo ágil e narrador cúmplice, o texto é dos que se leem de um fôlego. Por trás da leveza, fica a pergunta machadiana de sempre: quanto das nossas doenças inventamos, e quanto dos nossos remédios é apenas outra forma de ilusão?

