Resumo de Descrição da Ilha de Itaparica
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Resumo da obra
O poema nasce de um gesto de afeto: um filho da ilha de Itaparica decide cantá-la em versos, à maneira culta de seu tempo. Frei Manuel abre a descrição situando a ilha diante da Bahia de Todos os Santos, no coração do Recôncavo açucareiro, cenário que ele conhecia desde menino. Segue-se o inventário das belezas naturais: as praias e as fontes, o verde constante, o clima ameno que a poesia setecentista tanto prezava. A abundância é o motivo central: frutas, peixes e mariscos desfilam nos versos como provas da generosidade da terra. O poeta registra também a vida dos homens, o trabalho do mar e do açúcar, as povoações e suas igrejas debruçadas sobre a baía. Como mandava a convenção, a ilha é medida pelos padrões clássicos, comparada aos lugares célebres da antiguidade, e sai vencedora do confronto. Nesse orgulho local, os estudiosos veem um dos primeiros sinais do nativismo brasileiro, o embrião de um sentimento de pátria que floresceria no século seguinte. A dicção é a do barroco tardio, com seus epítetos e mitologias, mas o assunto é inteiramente nosso: uma paisagem concreta do Brasil colonial. O poema avança como uma volta completa à ilha, e ao terminá-la o leitor sente que conheceu o lugar pelos olhos de quem o amava. Fica, ao final, a doçura desse encontro entre a forma europeia e a matéria brasileira, e a graça de ver uma ilha da Bahia entrar, de pleno direito, para o mapa da poesia.
