Cartas Chilenas é uma sátira atribuída a Tomás Antônio Gonzaga que circulou em manuscritos anônimos pela Vila Rica dos anos 1780, às vésperas da Inconfidência Mineira. Sob disfarce transparente, os versos fingem descrever Santiago do Chile para retratar, na verdade, a capital das Minas e os desmandos de seu governador.
Nas cartas, Critilo escreve ao amigo Doroteu contando as proezas de Fanfarrão Minésio, governante vaidoso, arbitrário e faminto de aplausos, máscara poética de Luís da Cunha Meneses. Obras públicas absurdas, festas megalômanas, prisões injustas e negociatas desfilam numa denúncia que mistura indignação e gargalhada.
A obra é um documento único do Brasil colonial: mostra a elite letrada de Minas afiando contra o poder as mesmas armas que logo a levariam à conjuração e ao degredo. E permanece viva como sátira política, gênero que, como o leitor verificará com algum desconforto, nunca perde a atualidade entre nós.
