Resumo de Crônica do viver baiano seiscentista – a cidade e seus pícaros – Mariana, apelidada a rola
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Resumo da obra
Mariana, que a cidade apelidou de a rola, dá título e centro a este conjunto do ciclo dos pícaros de Gregório de Matos, a seção mais mundana da obra do Boca do Inferno. O apelido de ave orienta a imaginação do poeta, que o explora em variações sucessivas, do arrulho ao voo, do ninho à caçada. Como de costume, o retrato se faz por acumulação: cada poema acrescenta um traço, um episódio, uma malícia nova, até que a personagem pareça conhecida de longa data. O registro dominante é o burlesco amoroso, em que o galanteio serve de pretexto ao humor e o humor devolve vida ao galanteio. A personagem, real ou meio inventada, vira símbolo de um tipo de mulher livre que a colônia vigiava e desejava ao mesmo tempo. Em torno dela, ganham contorno as ruas e festas de Salvador, com seu comércio de olhares e reputações funcionando sem descanso. Gregório maneja o duplo sentido com precisão de relojoeiro, dizendo tudo sem jamais dizer explicitamente o que todos entendem. A moral da época sai arranhada de cada estrofe, o que explica por que essa poesia circulou séculos em manuscrito, longe dos olhos da censura. No conjunto, o leitor encontra menos uma biografia do que uma festa verbal em torno de um nome e de um apelido. Fecha-se o volume com a impressão de que a rola escapou da gaiola: o apelido que talvez quisesse diminuí-la acabou por garantir a Mariana um lugar duradouro na poesia brasileira.
