Crônica do viver baiano seiscentista: a cidade e seus pícaros – Mariana, apelidada a rola reúne poemas de Gregório de Matos em torno de uma personagem cujo apelido de ave já traz consigo um programa poético: arrulhos, voos e caçadas amorosas. É mais uma peça do grande retrato em versos que o poeta armou da Salvador do século XVII.
O apelido popular era matéria-prima favorita do Boca do Inferno, que sabia extrair de um simples nome de rua toda uma constelação de imagens e duplos sentidos. Nos poemas em torno de Mariana, o jogo entre a mulher e a rola alimenta o vaivém típico do poeta, entre a ternura fingida e a malícia declarada.
A leitura oferece o barroco brasileiro em sua versão mais saborosa: popular no assunto, erudito na forma, irreverente em tudo. E lembra que a poesia colonial não morava apenas nos altares e nos gabinetes, mas também nas janelas, nos apelidos e nas conversas da cidade.
