Crônica do viver baiano seiscentista: a cidade e seus pícaros – andanças de uma viola de cabaça evoca a imagem mais lendária de Gregório de Matos: a do poeta errante que, viola de cabaça a tiracolo, corria os caminhos da Bahia improvisando versos. Este conjunto reúne poesia marcada por esse espírito ambulante, feito de música, improviso e liberdade.
A tradição conta que, caído em desgraça, o Boca do Inferno rodou pelo Recôncavo vivendo de engenho em engenho, pagando hospedagem com sátiras e cantigas. A viola de cabaça virou emblema dessa fase e desta poesia: instrumento pobre, som popular, técnica de quem estudara em Coimbra.
Ler estas andanças é acompanhar o encontro fundador entre a cultura letrada e a oralidade brasileira, que a obra de Gregório realizou antes de qualquer projeto nacional. É poesia com poeira de estrada, cheiro de festa e aquela melancolia de quem canta porque perdeu quase tudo, menos a língua afiada.
