Resumo da obra

Resumo de Crônica do viver baiano seiscentista – a cidade e seus pícaros – andanças de uma viola de cabaça

por Gregório de Matos

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Resumo da obra

Este conjunto se organiza em torno de um emblema: a viola de cabaça que a tradição associa aos anos errantes de Gregório de Matos, sua fase mais lendária e mais pobre. Caído em desgraça na Salvador que tanto satirizou, o poeta teria rodado o Recôncavo, cantando de engenho em engenho e pagando a hospedagem com versos de encomenda e de vingança. Os versos aqui reunidos respiram essa vida ambulante: caminhos, pousos incertos, festas que acabam e recomeçam adiante. A música está por toda parte, no assunto e na forma, em poemas que pedem menos a página do que a voz e o acompanhamento das cordas. O improviso, marca do repentista, convive com a técnica culta que Gregório trouxe de sua formação em Coimbra. Desse encontro nasce um dos primeiros retratos da cultura mestiça brasileira, onde o soneto culto dança com a cantiga do povo. O humor segue presente, mas temperado pela condição do andarilho, que ri dos outros sabendo-se também matéria de riso nas bocas da cidade. Há passagens de melancolia funda, quando a estrada lembra ao poeta tudo o que ficou para trás: a fortuna, os cargos, a antiga vaidade. No conjunto, a viola de cabaça vira símbolo da própria poesia: feita de pouco, capaz de tudo, inclusive de sobreviver ao seu dono. Ao final, o leitor tem a sensação de ter acompanhado, pouso a pouso, uma longa serenata pelo sertão baiano, e de entender por que a figura do poeta com sua viola nunca saiu do imaginário brasileiro.

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