Resumo da obra

Resumo de O Eu Profundo e Outros Eus

por Fernando Pessoa

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Resumo da obra

A nota preliminar tem menos de uma página. Pessoa define o drama como “um romance na sua forma máxima de síntese possível”, que pode ser simulado num palco por atores, e distingue três tipos: o sintético, que reúne as qualidades gerais da literatura, as da narrativa e as próprias do drama; o analítico, que busca só as distintivas do drama; e o misto. O tipo sintético, diz, atinge a plenitude no drama em verso.

Na Floresta do Alheamento começa com um homem que diz: “Sei que despertei e que ainda durmo”. Num quarto de alcova, entre o sono e a vigília, vê ao mesmo tempo o quarto e uma floresta estranha, onde caminha de braço dado com uma mulher que não reconhece, entre árvores que diz conhecer há séculos. Passeiam entre cedros, olaias, rosas e girassóis, num tempo “que não sabia decorrer”. Ouvem o mar ao longe, esquecem a cor dos amores e o sabor dos ódios e se julgam imortais, mas gozar aquilo dói. Descobrem que não têm nome nem existência plausível. A manhã vem com o zumbido de uma mosca. O narrador pergunta: “Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho?”. O texto acaba pedindo que se desenganem da esperança, do amor, da vida e da morte e cubram “com um lençol de linho fino o perfil hirto da nossa Imperfeição”.

O Marinheiro se passa de noite num quarto circular de um castelo antigo. No centro, entre quatro tochas, há um caixão com uma donzela de branco; a única janela mostra um pedaço de mar entre dois montes. Três mulheres a velam e esperam o dia. A primeira propõe que contem o passado, as outras recusam, e falam mesmo assim de infâncias à beira-mar, entre florestas, riachos e lagos, sem certeza de que as viveram.

A segunda conta o que sonhou à beira-mar, depois de ver passar ao longe uma vela: um marinheiro naufragado numa ilha que, para suportar a saudade, passa a sonhar uma pátria, primeiro as paisagens, depois as cidades, as ruas, a gente, um passado inteiro. Um dia, cansado de sonhar, tenta recordar a pátria verdadeira e não se lembra de nada. Veio um barco, passou pela ilha, e o marinheiro não estava lá. A terceira supõe que ele voltou à Pátria, “mas a qual?”. Quando lhe perguntam como o sonho acabou, a segunda diz que nenhum sonho acaba.

O dia clareia. Falam da morta, perguntam por que se morre e se é por não se sonhar bastante. A segunda faz a pergunta que assusta as outras: por que não seria o marinheiro a única coisa real, e elas e tudo ali um sonho dele? A primeira pede que não continue e que olhem o dia. A terceira diz que só a segunda é feliz, porque acredita no sonho, e a segunda responde que não acredita. Um galo canta, a luz aumenta e as três se calam. Ao longe, numa estrada, um carro range.

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