O Eu Profundo e Outros Eus é o título de um volume de Fernando Pessoa que a folha de rosto do arquivo apresenta como “20ª edição” da Editora Nova Fronteira. O arquivo desta página não traz o volume inteiro: tem uma nota preliminar sobre o teatro e dois textos de 1913, Na Floresta do Alheamento e O Marinheiro, sob o título “Poemas Dramáticos”.
O que o arquivo contém
A nota preliminar, “Apontamento solto; s. d.”, define o drama como a forma mais sintética da literatura narrativa e distingue três tipos: sintético, analítico e misto.
Na Floresta do Alheamento é um texto em prosa, em primeira pessoa. Um homem entre o sono e a vigília, num quarto, imagina uma floresta onde passeia com uma mulher, sem nome e quase sem corpo, num tempo “que não sabia decorrer”. O texto fecha pedindo que se desengane da esperança, do amor, da vida e até da morte. Saiu em 1913 na revista A Águia, do Porto, indicado como parte do Livro do Desassossego, ainda “em preparação”.
O Marinheiro, dedicado a Carlos Franco e datado de 11 e 12 de outubro de 1913, passa-se num quarto circular de um castelo, onde três mulheres velam uma donzela morta. Uma delas conta o sonho de um marinheiro perdido numa ilha, que inventa uma pátria até esquecer a verdadeira; no fim pergunta se elas mesmas são sonho dele. Um galo canta e o dia clareia. Pessoa chamou a peça de “drama estático”, sem ação; saiu no primeiro número da revista Orpheu, em 1915.
Os outros eus que o título promete
O título e a descrição antiga do site falam de heterônimos. Nenhum aparece no arquivo: não há poemas nem menção a Alberto Caeiro, Ricardo Reis ou Álvaro de Campos. Os poemas deles estão em Poemas de Álvaro de Campos, Poemas de Ricardo Reis e O Guardador de Rebanhos. O eu desfeito em sonho volta no Livro do Desassossego.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 22 páginas. Começa com a folha de rosto do volume da Nova Fronteira e segue com a nota preliminar, Na Floresta do Alheamento e O Marinheiro, completos. Não há introdução nem notas do editor.

