Resumo de Os Bruzundangas
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Resumo da obra
O livro se apresenta como o relato de um viajante que conheceu a fundo a Bruzundanga, república distante de costumes muito curiosos. Logo nos primeiros capítulos, o narrador descreve a literatura oficial do país, dominada pelos samoiedas, poetas empolados que ninguém entende e todos fingem admirar, com medo de parecerem ignorantes. Segue-se o exame da nobreza local: uma fidalguia de doutores, cujos títulos e anéis substituem qualquer talento verificável, num país que confunde diploma com sabedoria. A política da Bruzundanga ganha capítulos saborosos, com seus chefes que se revezam no poder e suas eleições em que o resultado antecede o voto. O narrador detalha a Constituição do país, belíssima no papel e ignorada na prática, resumo perfeito do bacharelismo nacional que o autor tanto combateu. Passam também pelo livro o ensino, feito para decorar e diplomar, e a imprensa, mais atenta aos poderosos do que aos fatos. A economia não escapa: impostos que castigam os pobres, negociatas que enriquecem os de cima, câmbio e empréstimos administrados em causa própria pelos figurões de sempre. De sátira em sátira, o retrato se completa, e a Bruzundanga se revela menos um país inventado do que um espelho apenas levemente deformado do Brasil da Primeira República. O humor de Lima Barreto nunca esconde a indignação de fundo: ele escreve contra a injustiça, não apenas contra o ridículo. Terminada a leitura, fica um incômodo produtivo: um século depois, o leitor brasileiro ainda reconhece a Bruzundanga pela janela, e entende por que este livro não envelhece.
