Amaricanto é um livro de poemas de Salomão Rovedo cujo título já funciona como um poema em miniatura: a palavra inventada junta amar, América e canto, e anuncia o modo como o autor trabalha a matéria verbal.
A poesia reunida aqui aposta na invenção de linguagem e na atenção ao som das palavras, herança da tradição experimental brasileira que fez do poema um espaço de construção, e não apenas de confissão. Os temas circulam pelo afeto, pela geografia americana e pelo próprio ato de cantar, em versos que preferem a concisão à explicação e confiam no leitor para completar os sentidos.
A leitura se recomenda a quem procura poesia brasileira disposta a arriscar. O livro pede voz alta, atenção ao ritmo e paciência com as junções inesperadas, e recompensa com achados que só existem porque a língua foi forçada um pouco além do uso corrente. É pouca página para muito trabalho de ourivesaria.
