Anedota Pecuniária é um conto de Machado de Assis, incluído em Histórias sem Data, que apresenta um dos retratos mais acabados da avareza em nossa literatura. Falcão é um homem que ama o dinheiro — não o que ele compra, mas o próprio dinheiro, contado, guardado e contemplado como quem contempla um ente querido.
Em torno dessa paixão, Machado organiza a vida afetiva do personagem: parentes, casamentos e afeições passam todos pela balança, e o leitor assiste ao curioso espetáculo de um coração que só se comove em cifras.
O título entrega o método: é uma anedota, contada com leveza e humor, mas a graça vai revelando aos poucos o seu fundo triste. Ao trocar afetos por compensações, Falcão compra a própria solidão em prestações confortáveis. Poucas páginas bastam para Machado compor uma fábula moral sem moralismo, em que o riso e a piedade disputam o leitor até a última linha.

