Angélica e Firmino é uma peça de Manuel José Araújo Porto-Alegre, figura múltipla do primeiro romantismo brasileiro: pintor, arquiteto, caricaturista, poeta e homem de teatro. Amigo de Gonçalves de Magalhães e presença constante nos projetos de fundação de uma arte nacional, Porto-Alegre levou também para o palco seu interesse pelos costumes e pelos tipos do Brasil de seu tempo.
Como anuncia o título, a obra gira em torno de um par, e nela o dramaturgo articula sentimentos contrariados, convenções sociais e o desenho vivo de ambientes da época. O texto guarda o sabor do teatro romântico em formação, quando os palcos do Rio de Janeiro começavam a buscar assuntos e personagens brasileiros.
Para o leitor de hoje, é um documento precioso de um momento fundador: o esforço da geração de 1830 e 1840 para criar uma dramaturgia própria. Vale a leitura pelo texto e pelo que revela sobre os primeiros passos do nosso teatro.
