Angelitude é um livro de poesia de Valdecir de Oliveira Anselmo cujo título, palavra forjada, já anuncia o gesto central da obra: inventar linguagem para nomear estados que o vocabulário corrente não alcança. O neologismo funciona como chave de leitura e como programa.
O que se organiza nesses versos é uma busca por transcendência dentro do comum. A figura do anjo, sugerida no título, comparece menos como imagem religiosa fechada do que como medida de aspiração: aquilo que o sujeito do poema persegue e nunca detém por inteiro. Daí temas como a fé, a solidão, a passagem do tempo e o desejo de leveza em meio ao peso das coisas cotidianas.
A leitura recompensa quem gosta de poesia intimista, feita de imagens curtas e de um trabalho atento sobre a palavra. É um livro para ser percorrido devagar, poema a poema, deixando que cada peça reverbere antes de virar a página.
