Resumo da obra

Resumo de Aurora sem Dia

por Machado de Assis

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Resumo da obra

Luís Tinoco leva uma vida obscura de amanuense até o dia em que vê um soneto seu impresso no jornal. A modéstia do emprego só torna mais luminoso o destino que ele imagina para si. A publicação opera nele uma verdadeira revelação: convence-se de que é poeta, e poeta destinado à glória. Seguem-se versos em abundância, recitados a amigos resignados e enviados às redações com dedicatórias solenes; nenhum obstáculo abala sua fé no próprio destino. Do parnaso, Tinoco salta para a imprensa política, certo de que a pátria reclama seus serviços e sua pena. Seus artigos acumulam metáforas, citações e pontos de exclamação, e ele mede o próprio mérito pelo volume das palavras. A política partidária o acolhe como se acolhem os úteis: com promessas vagas, apertos de mão e recompensas sempre adiadas. Tinoco não percebe que é instrumento, e confunde utilidade com reconhecimento. As desilusões se acumulam, mas Tinoco as interpreta como conspirações da inveja contra o gênio incompreendido. A vaidade tem essa vantagem: nunca fica sem explicação. O tempo, mais eficaz que qualquer crítica, vai gastando a ilusão: a glória não chega, os aplausos rareiam e a mocidade passa. No desfecho, encontramos Tinoco no campo, curado das letras, falando de plantações com a serenidade de quem esqueceu a antiga aurora. A cura veio tarde, mas veio, e o antigo poeta nem parece lembrar dos versos. Fica no leitor um sorriso com fundo melancólico: Machado ri da vaidade, mas também da distância entre o que sonhamos ser e o que a vida consente.

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