Aurora sem Dia é um conto de Machado de Assis, incluído em Histórias da Meia-Noite, que satiriza uma figura eterna: o homem convencido do próprio gênio. Luís Tinoco, modesto amanuense, publica um soneto no jornal e, da noite para o dia, decide que nasceu para a glória literária.
Do verso à prosa e da prosa à tribuna, Tinoco troca a poesia pelo jornalismo político, sempre com a mesma grandiloquência vazia e a mesma certeza de estar destinado à posteridade. Machado acompanha essa carreira imaginária com humor implacável, expondo o abismo entre a ambição e o talento.
O título resume a ironia: uma aurora que promete um dia que nunca chega. Mais que uma caricatura de época, o conto é um estudo atemporal da vaidade e das ilusões de grandeza, tema que o autor retomaria pela vida inteira. Leitura curta, divertida e de atualidade constrangedora para qualquer era de opiniões abundantes.

