Confissões de uma Viúva é um conto de Machado de Assis escrito em forma de cartas: uma jovem viúva relata a uma amiga o episódio que marcou seus anos de casada e o desengano que se seguiu à morte do marido. Publicado originalmente no Jornal das Famílias, o texto já anuncia o observador implacável das conveniências sociais.
A narradora reconstitui a corte discreta e paciente de Emílio, um sedutor de salão que se aproxima dela durante o casamento e a envolve num jogo de olhares, silêncios e pequenas audácias. Machado transforma essa matéria delicada num estudo sobre vaidade, tédio conjugal e a fronteira movediça entre virtude e desejo.
Pela moldura epistolar, o leitor tem acesso direto à consciência da personagem, que se confessa sem se poupar. É uma leitura valiosa tanto pelo retrato da sociedade fluminense do Segundo Reinado quanto pela chance de ver o jovem Machado ensaiando a análise psicológica que consagraria sua obra madura.

