Dirceu de Marília é uma obra poética de Joaquim Norberto de Souza e Silva que retoma o par de amantes mais célebre da literatura brasileira: Marília e Dirceu, imortalizados pelas liras de Tomás Antônio Gonzaga. Poeta, crítico e historiador, Norberto dedicou boa parte da vida ao estudo de Gonzaga e da Inconfidência Mineira.
Aqui, o romântico presta homenagem ao árcade: o universo pastoril de Vila Rica, o amor interrompido pela prisão e pelo degredo, a amada que fica — tudo retorna filtrado pela sensibilidade do século XIX, mais sombria e sentimental que a dos originais.
A obra interessa em dupla chave: como poesia, pelo diálogo entre duas épocas do lirismo brasileiro; e como documento do culto romântico a Gonzaga, que Norberto ajudou a transformar em mito nacional. É um elo curioso entre o arcadismo e o romantismo.
