Resumo de Espumas Flutuantes
por Castro Alves
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Resumo da obra
Espumas Flutuantes chegou ao público em 1870, quando Castro Alves, já minado pela tuberculose, reuniu ele mesmo o melhor de sua lírica. O título anuncia o espírito do livro: poemas como espumas, nascidos do mar revolto de uma vida breve e intensa. Na abertura, o poeta se apresenta em seu duplo registro, o do cantor da liberdade e o do homem apaixonado, que o volume fará alternar ao longo das páginas. Os poemas de amor formam o coração do conjunto, muitos acesos pela paixão vivida com a atriz portuguesa Eugênia Câmara entre palcos e viagens. Neles, a mulher é presença física, de carne e perfume, numa sensualidade que rompia com a amada etérea dos românticos anteriores. A natureza acompanha os afetos: o mar da Bahia, as noites, as tempestades servem de espelho aos estados da alma do poeta. No centro do livro paira a morte, encarada de frente em Mocidade e Morte, grito de um jovem que pede vida e pressente o fim que se aproxima. Há também a veia cívica e humanitária, com versos que saúdam o livro, o progresso e a liberdade, anunciando o poeta social de Os Escravos. A eloquência é a marca de tudo: versos largos, imagens incendiadas, uma voz feita para a tribuna e para a declamação diante das multidões. Terminada a leitura, fica a comoção de um testamento involuntário: o livro único de um poeta de 23 anos que amou, lutou e se despediu em verso, e por isso não envelheceu.
