Resumo de Eterno!
por Machado de Assis
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Resumo da obra
O título, com sua exclamação enfática, dá o tom do jogo: o conto gravita em torno da palavra que os apaixonados mais juram e o tempo mais desmente. O universo é o da ficção sentimental machadiana: afetos declarados, conveniências à espreita e corações examinados de perto. É o terreno que Machado conhecia melhor do que ninguém. O narrador conduz a matéria com a polidez irônica característica, deixando que as personagens se revelem por gestos e falas. A promessa de eternidade, uma vez pronunciada, torna-se personagem: é contra ela que os acontecimentos vão sendo medidos. Machado observa como o sentimento convive com o tempo, esse adversário silencioso de todas as juras. A luta é desigual, e o autor sabe de que lado está a vitória. A narrativa avança por cenas de convivência e pequenos sinais, nos quais o leitor atento percebe mais do que os próprios envolvidos. Não há vilões: há a natureza humana, que promete de boa-fé e muda sem pedir licença a ninguém. O conto não acusa: constata. O desfecho acerta as contas entre a palavra e a vida, à maneira do autor: sem escândalo, com uma gota de melancolia no fundo do sorriso. Fechado o conto, o título soa diferente de quando o abrimos — e essa mudança de som é a própria lição da leitura. Fica a impressão duradoura do melhor Machado: a de que os sentimentos são sinceros e passageiros ao mesmo tempo, e de que a eternidade, entre humanos, costuma ser figura de retórica.
