Eterno! é um conto de Machado de Assis cujo título, com seu ponto de exclamação, já carrega a ironia: poucas palavras foram tão juradas e tão desmentidas quanto essa. O texto se inscreve no território favorito do autor — os sentimentos humanos examinados sem complacência, no espaço entre o que se promete e o que se cumpre.
Machado dedicou a obra inteira a medir a distância entre as declarações eternas e a natureza mutável do coração, e este conto trabalha essa matéria com a elegância habitual: frases límpidas, observação psicológica e um narrador que sabe mais do que diz.
Para o leitor, é um convite a flagrar o método machadiano em pequena escala: o modo como uma cena de afeto pode conter, em germe, sua própria contradição. Leitura rápida, de sabor concentrado, que confirma por que os contos do autor continuam entre os mais argutos já escritos sobre a vida sentimental.

