Resumo da obra

Resumo de Lágrimas de Xerxes

por Machado de Assis

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Resumo da obra

O título remete ao célebre episódio narrado pelos antigos: Xerxes, senhor de um exército inumerável, chora ao dar-se conta de que o tempo apagará todos aqueles homens. A imagem das lágrimas do poderoso serve de mote à narrativa, que a transporta para o terreno favorito de Machado: a alma humana diante de suas ilusões. O contista trabalha o contraste entre grandeza e finitude, mostrando como os cálculos do orgulho convivem com a certeza da perda. O rei que chora é qualquer homem diante do espelho do tempo. As situações são observadas com a lente machadiana de sempre: os gestos dizem uma coisa, as motivações sussurram outra. A erudição clássica comparece sem peso, como tempero: Machado cita os antigos para melhor falar dos contemporâneos. A Antiguidade, aqui, é menos cenário que argumento. O tom alterna a graça e a melancolia, registro duplo em que o autor sempre se moveu com mestria. Ri-se para não chorar, e chora-se um pouco por trás do riso. O leitor percebe que as lágrimas do título são menos de Xerxes que nossas: cada época chora, à sua maneira, a mesma brevidade. A narrativa avança para um desfecho em surdina, fiel ao gosto do autor pelos finais que ressoam mais do que explicam. Fechado o texto, a referência antiga revela sua função: emprestar dignidade de mármore a fraquezas de todos os dias. Fica da leitura uma serenidade pensativa — a consciência, tão machadiana, de que rir e chorar da condição humana são, no fundo, o mesmo gesto.

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