A Igreja do Diabo é um conto de Machado de Assis. Saiu na Gazeta de Notícias em 17 de fevereiro de 1883 e foi reunido em 1884 no volume Histórias sem Data. São quatro capítulos curtos, com menos de três mil palavras, apresentados como a transcrição de “um velho manuscrito beneditino”.
Do que trata A Igreja do Diabo
O Diabo se sente humilhado com o papel “avulso” que exerce há séculos, “sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual”. Decide fundar uma igreja com missa, bulas e novenas e vai ao céu avisar Deus. Deus o chama de “velho retórico” e o manda ir. Na terra, o Diabo põe uma cogula de beneditino e prega que as virtudes aceitas devem ser trocadas pelas “naturais e legítimas”: soberba, luxúria, preguiça, avareza, ira, gula, inveja. A igreja cresce em todo o mundo.
Anos depois ele nota que muitos fiéis, às escondidas, voltam a praticar as velhas virtudes, e não sabe por quê. Sobe de novo ao céu para perguntar. A resposta de Deus ocupa poucas linhas.
Casuística e ironia
Boa parte do conto é o sermão do Diabo, e é aí que Machado mais se diverte. A fraude vira “o braço esquerdo do homem”, a venalidade é defendida como direito sobre a própria consciência, e o amor ao próximo fica reservado às “damas alheias”. As referências a Homero, Rabelais e Galiani pedem nota a quem lê hoje.
O conto é mais fábula do que narrativa: não há personagem além do Diabo e de Deus, e o fim chega de repente. Quem procura enredo pode achá-lo magro; quem lê pelo argumento acha tudo no último parágrafo.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 6 páginas com o conto completo. A nota de abertura dá como fonte o “Volume de contos” publicado pela Garnier em 1884 e informa que o texto vem da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, com uso permitido “apenas para fins educacionais”. Machado de Assis morreu em 1908, portanto a obra está em domínio público no Brasil. Outros contos do autor estão em Contos de Machado de Assis e, em formato mais longo, O Alienista.

